Sociedade do consumo x Utopia


O ser humano é, basicamente, desejo. Estamos sempre em busca de algo. Seja o desejo de possuir algo que ainda não se tem. Seja o sentido da realização com aquilo que se conquistou. As sociedades, desde tempos imemoriais, aprenderam a calibrar os desejos e canaliza-los para os grandes projetos civilizatórios. É o que chamamos de utopia.

As utopias, entretanto, como que por recorrência, retroalimentam os desejos. Cria-se assim um círculo virtuoso da natureza humana que nutre as utopias sociais e dessas que dimensionam os desejos instintivos. Apesar disso, o desejo sabe desejar mesmo sem utopia nenhuma para nutri-lo. E, quando isso ocorre, o desejo pode se tornar um monstro insaciável.

A sociedade de consumo, especialmente após as revoluções industriais, aprendeu isso rapidamente. Aprendeu que para que haja consumo permanente e desenfreado é indispensável alimentar um desejo doentio.

Deslocou-se o desejo para o campo das mercadorias. Os bens de consumo se descobriram como o que sacia - ainda que transitoriamente - esse apetite humano incansável. Maquia aquilo que efetivamente nos impele adiante.

Por isso, uma agenda permanente na sociedade do consumo é matar diariamente a utopia.

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Prof. Ricardo Lengruber é teólogo. Doutor pela PUC-Rio, atua nas áreas de Educação, Religião e Políticas Públicas. Foi Secretário de Educação e é membro da Academia Friburguense de Letras. Tem livros e artigos publicados, dentre eles “A escola em que (des)acredito”, pela editora Mauad. Visite www.ricardolengruber.com

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