Quem dera estivéssemos vivendo pelo menos o apocalipse


Uma das coisas mais belas da literatura bíblica é a Apocalíptica. Uma literatura repleta de figuras de linguagem e engajamento político. Nasceu no olho do furacão. Surgiu como resistência aos maiores poderes militares e culturais da Antiguidade: Babilônia, Persia, Grécia e Roma.

Um texto em especial me fascina: a besta que emerge da terra, a besta que tem dois chifres (Ap. 13, 11-18). Uma forma dissimulada de criticar a Roma que domina e a Jerusalém que é conivente.

Ler a Bíblia sob a ótica esotérico-religiosa é gostoso. Mas comunica pouco. Transforma menos ainda.

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No Brasil de hoje, tão sério quanto o grande capital internacional interessado na exploração do pré-sal e da Amazônia, é essa turma dos governos interessados em vender e lucrar com o que é de quem eles não se sentem parte.

Um besta emerge do mar; a outra, da terra.

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(*) Ricardo Lengruber é professor. Doutor pela PUC Rio, tem livros e artigos publicados nas áreas de Educação, Religião e Políticas Públicas. Foi Secretário de Educação em Nova Friburgo, presidente da ABIB e é membro da Academia Friburguense de Letras. Visite www.ricardolengruber.com

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