Pentecostes


Sempre gostei das simbologias do Pentecostes. Pela tradição hebraica, a beleza de shevuot, a celebração da recepção da Torá. Depois da Páscoa - da libertação do Egito - Israel recebeu nas areias do deserto os mandamentos que deveriam nortear a vida livre. Essa mensagem é muito profunda: a lei nasce da liberdade e ela mesma deve ser a garantia da liberdade. Toda lei verdadeira deve estar a serviço do ser humano e de sua autonomia. Em tempos de restrição de direitos, nada mais potente que a mensagem do Pentecostes para reclamar sempre e de novo o lugar de uma lei libertadora. Pela tradição cristã, Pentecostes está estampado na potência daquele discurso de Pedro ouvido e compreendido por estrangeiros de dezenas de culturas diferentes. O milagre da compreensão entre línguas distintas. A capacidade de falar de modo que o outro compreenda e a coragem de ouvir o que o outro tem a dizer. Uma lição de diálogo. Na origem da igreja não está um decreto, mas uma grande efusão de línguas diferentes: o milagre de transformar confusão em pluralidade. Em tempos de intolerância - inclusive em nome de Deus - nada mais adequado que a memória dos sinais de Pentecostes. Pentecostes é tempo de resgate o lugar da lei como instrumento de emancipação do ser humano e tempo de abrir boca e ouvidos para o diferente. Liberdade e diálogo.

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(*) Ricardo Lengruber é professor. Doutor pela PUC Rio, tem livros e artigos publicados nas áreas de Educação, Religião e Políticas Públicas. Foi Secretário de Educação em Nova Friburgo, presidente da ABIB e é membro da Academia Friburguense de Letras. Visite www.ricardolengruber.com

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