Sobre (in)competentes


Competência, segundo a Psicologia, é a capacidade para realizar. É fazer com que algo que não exista venha à tona e ser torne real. Competência é a arte de fazer nascer coisas novas.

Por outro lado, nos termos do Direito e da Administração, competência é a delimitação do poder dado a alguém ou a uma instituição.

Num caso, competência é o que expande a mente e cria universos novos e cheios de possibilidades. Noutro, é aquilo que determina os limites de ação e responsabilidade.

Tanto num quanto em outro caso, competência é a determinação do que fazer e do que não fazer. É, em outras palavras, o limiar entre o sim e o não.

Competente é o que sabe fazer, e, além disso, sabe o que lhe cabe ou não realizar. O competente sonha e conhece limites, ao mesmo tempo.

Na administração pública, o que se espera é que haja indivíduos competentes. Tanto porque saibam realizar aquilo a que foram designados e sonhem alto nessa direção, mas também que conheçam os limites de sua ação e não enveredem por sendas que não lhes cabem.

Dizer que o bom administrador público deve ser um técnico competente é o mesmo que esperar que todo um oceano caiba num copo d'água. Não há como possuir competência técnica em tudo que demanda a administração da coisa pública. O máximo que se pode esperar - e de tão raro parece utópico - é que o gestor seja movido por um espírito de liderança que seja capaz de fazer emergir o que há de melhor em cada um de seus colaboradores.

Por outro lado, achar que a administração pública deva ser confiada aos - equivocadamente chamados - políticos também é um erro.

Explico: políticos, em si, não deveriam existir. Não há algo específico que seja de competência de um político. Competência é algo que se refere à profissionais em seus ofícios e habilidades. Assim sendo, aqueles a que chamamos de políticos, na verdade, são os que lotearam a máquina pública e dela fizeram seu meio de vida.

A gestão pública deveria estar sob a competência daqueles que - no exercício de sua profissão - descobriram que, além do quintal de casa, há uma sociedade inteira que reclama serviços e dignidade. E, no ato de olhar para além do próprio umbigo, gente que descobre que tem algo a dar de si em benefício da coletividade. A ação política é, obrigatoriamente, ação “a serviço de”.

Óbvio que, em qualquer caso, o que deve sobressair não é a capacidade de convencer pelo discurso ou pela aparência, antes a arrojada coragem de realizar.

A questão não é ser político ou ser técnico. Esse dualismo é artificial. Falso porque polariza faces que devem, necessariamente, coabitar. Políticos não deveriam existir isolados de sua capacidade de realizar. Técnicos não são competentes se não sabem agir coletiva e socialmente.

Com isso, se descobre que política é algo bem diferente do que se faz nas casas executivas e legislativas por esse país afora. O que há, infelizmente, é uma luta - às vezes imoral - pela tomada e manutenção do poder.

Se descobre que a verdadeira política é aquela que põe a serviço do grupo a competência dos indivíduos.

Por tudo isso, vejo que é falsa a dicotomia entre técnicos e políticos. O que há, em verdade, é gente competente e gente incompetente.

Deus nos livre desses últimos.

#competência #gestão #política #técnica #ricardolengruber

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