Nova Friburgo: uma cidade de muitos povos


No dia 16 de maio de 1818, D. João VI assinou um documento para a vinda de famílias provenientes da Suíça rumo ao Brasil. Chegaram por aqui somente em 1819. E, como cidade mesmo, Nova Friburgo só foi emancipada mais tarde.

O dia 16 de maio, portanto, é muito mais simbólico que histórico. Mas é uma data cuja memória pode potencializar muita coisa interessante para essa Nova Friburgo de quase dois séculos depois.

Quando se celebrou o centenário, em 1918, insistiu-se na tese da “suíça brasileira”. Houve uma construção histórica motivada em forjar uma identidade (que não correspondia exatamente a realidade histórica da cidade).

Afinal, uma “suíça” exclui muito mais que inclui, a despeito da rica e necessária preservação inclusive dessas origens helvéticas mais distantes.

Nos preparativos ainda tímidos para a celebração dos duzentos anos, é preciso ir além dos equívocos construídos no centenário. É preciso inclusive revisitar essa história contada pela metade e redescobrir uma Friburgo cheia de surpresas.

Primeiro, é urgente revisar as origens suíças sim, mas identificar seu alcance e sua extensão. Segundo, identificar as tantas outras presenças imigratórias recebidas.

Por fim, mas não menos importante nesse rico cenário de tantas faces, revolver a terra batida pelo tempo e pelas ideologias cultivadas no período posterior à abolição da escravatura, e redescobrir índios e negros por essas terras e peles e sangues.

Além de fidelidade a história, teríamos a chance inédita de trazermos para o debate tanta gente e tantas heranças jogadas pra debaixo do tapete ao longo do tempo.

Para nossa sorte, a Santa Doroteia fechou suas portas mas deixou uma pequena legião de historiadores interessados e dispostos a revisitar essas mil e uma histórias e documentos e testemunhos do passado.

A celebração dos duzentos anos, para além da festa, será a oportunidade que teremos de pensarmos juntos sobre nossa cidade. Sobre a cidade que sonhamos. A cidade que precisamos. A cidade onde haja espaço e oportunidade para todos.

Para isso, todavia, é preciso começar pelas origens e dar voz a quem nunca teve. E fazer dialogar cores e credos diferentes.

Isso não se fará sem crises e sem dores; afinal a história das populações escravas não é feita apenas de tradições; há muito sangue ainda sem ser honrado. Mas esse esforço é indispensável para quem deseja conhecer de verdade.

Nos duzentos anos, em vez de reiterar os mitos do passado, talvez seja a oportunidade de começarmos a construir uma nova auto-imagem, de uma cidade de muitos povos, de muita gente; um encontro de diferentes que souberam construir um lar pra viver, incluindo uns e excluindo outros. Mas, a exemplo do Brasil como um todo, experimentando uma “convivência”.

Acho que é isso. Temos nas mãos a chance de nos redescobrirmos. E, quem sabe, nos reinventarmos.

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