Por uma escola integral

A infância e a adolescência são etapas muito importantes no processo de formação das pessoas. O que se vive nesse período terá papel decisivo na personalidade dos indivíduos. Não que se concorde que sejamos, quando adultos, o resultado automático do que vivenciamos na infância; isso porque a vida é processo muito complexo de reelaboração constante das experiências. Mas, mesmo assim, não se pode deixar de aceitar que a vida vivida na infância empresta um significado todo especial à personalidade amadurecida pelo tempo.

 

Sendo assim, há que se ter muito cuidado com o que se planeja em termos de educação. A sociedade brasileira contemporânea conquistou como valor que lugar de criança é na escola, mas ainda não definiu bem o que pretende com sua escola e com sua política educacional.

 

Mas é possível, sob algum risco, indicar umas poucas pistas sobre a questão e, para isso, lançar mão do conceito – tão amplo e controvertido – de Educação Integral.

 

Primeiramente, há que se pensar Educação Integral como tempo integral. Ou seja, um tempo que se estende para além das quatro horas diárias previstas em lei. Um tempo que ultrapassa os limites de um turno colegial (manhã, tarde ou noite) e avança pelas horas úteis de um dia de trabalho, estudo, lazer, entretenimento, esporte, cultura e – porque não? – uma boa dose de ociosidade criativa também! Uma escola que conceda à família a tranquilidade para o trabalho e a segurança de estarem os pequenos confiados a profissionais devidamente qualificados.

 

Há que refletir, ainda, em Educação Integral como ensino integrado. Ou seja, como resultado de um projeto pedagógico que compreende o ato de educar como algo que se faz colegiadamente; como um processo que leva em consideração que o saber não se compartimenta; como uma ação integrada entre muitos e diferentes saberes e práticas que se entrelaçam e se tencionam mutuamente. Educação Integrada que tem como princípio a ideia de que tudo tem relação com tudo, como numa rede em que o todo está na parte e cada parte se revela no todo. Professores precisam dialogar mais e promoverem mais diálogo entre seus estudantes também.

 

Por fim, há que se entender Educação Integral como formação integral do indivíduo. Já deve ser passado o tempo em que se limitou o processo educacional ao simples ato de transmissão de saberes. Óbvio está que o aspecto racional é elemento importante na formação, mas não é único, tampouco o mais importante. Somos mais que cérebro! Somos coração e mãos. Somos valores e gestos. Uma escola hoje deve ter clara sua vocação como promovedora da cultura da paz e da tolerância e, acima de tudo, como cultivadora da ética e da cidadania.

 

Há muito ainda a ser feito, mas estamos muito mais perto do que já estivemos. Pelo menos, em teoria, há muita contribuição significativa. Na prática, todavia, há reformas sendo empreendidas que nos tem feito regredir.

 

Por uma escola de tempo estendido, formação integrada e educação integral: eis o desafio de nosso tempo.

 

 

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