Dinheiro público, campanha política e corrupção.


De uns anos para cá, o Brasil parece ter descoberto que seus políticos (especialmente os últimos governantes) são corruptos. Como se isso fosse alguma novidade. Como se corrupção fosse invenção de um partido político, ou que esse partido tenha potencializado-a.

No fundo, parece ser preferível se deixar enganar e achar um bode expiatório do que de fato encarar a realidade histórica desse país nascido “da” e “para” a corrupção.

Com a nem sempre isenta ação do judiciário e da nem sempre incorruptível polícia, descobriu-se que há desvios de recurso público para campanhas políticas e enriquecimento pessoal. Como se isso fosse construção recente. Como se nesse país não se precisasse beijar a mão dos coronéis para poder subir um andar na escala social. E convenhamos que isso não é coisa apenas da política oficial.

A imprensa, nem tão competente e muito menos neutra, tem revelado dia após dia as agruras desse governo que só fez o país retroceder. Essa mesma imprensa que está concentrada nas mãos de uns poucos que sofrem inclusive acusação, eles mesmos, de sonegação e desvio de finalidade.

As comissões legislativas de investigação sequer podem ser mencionadas, muito menos levadas a sério, infelizmente. São teatro de marionetes. As transmissões ao vivo - em vez de darem a transparência desejada - incentivaram a encenação. E como há bons atores nesse país.

A questão do dinheiro público e das campanhas causam nojo ao trabalhador que assiste ao jornal de televisão. Mas o dia a dia dos palácios de prefeitos e governadores (sem a luz dos holofotes) não é diferente das manchetes que condenam uns poucos. No Brasil, se faz campanha política o tempo todo. Tudo é propaganda, beneficiamento, favorecimento, compadrio e compromisso de voto. Do primeiro ao último dia do mandato, prefeitos e governadores só fazem campanha. Nada mais. Nada menos. Há muita publicidade e pouco espírito público verdadeiro.

O dinheiro público é desviado, sim, pelos ralos da corrupção em todas as suas formas. Nosso país é pródigo em leis e processos que facilitam e encobertam a corrupção. Quem responde judicialmente por corrupção – salvo em raríssimos casos excepcionais – é tratado com uma leniência que extrapola os limites do direito amplo de defesa. Mas além dessa corrupção direta, há muito recurso que é “desviado” oficialmente nas nomeações dos cargos de confiança, nas horas de trabalho dedicadas a finalidades diversas das do interesse público, nas viagens para compromissos dos partidos, nas recepções de socialização dos membros da coligação e nas muitas e tantas formas que sequer são capazes de serem descritas e mensuradas. A máquina está a serviço do poder e de sua manutenção. Quem paga a conta é o imposto do trabalhador.

A política brasileira institucionalizou a corrupção. Mas fez ainda pior quando confundiu (desde sempre) campanha político partidária com exercício político propriamente. Na verdade, tornou-se natural esse modo brasileiro de fazer política. O Brasil é o país da boquinha. Do Estado a serviço dos partidos.

Um tipo de corrupção se corrige com cadeia (para poucos e ideologicamente escolhidos, infelizmente) e muita manchete sensacionalista. A outra, a pior de todas, se traveste pelo pseudônimo de política.

Política tornou-se, sim, sinônimo de corrupção

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