Política e participação

Estamos todos desgastados com a política. Há uma descrença generalizada com os políticos e os com partidos políticos. Cada vez mais, uma parcela maior da população se sente impotente e distante das decisões políticas. Política tem se tornado sinônimo de crime. Isso tem a ver com o mar de corrupção a que temos testemunhado todos os dias nos jornais. E tem a ver com a sensação de impunidade. A percepção da massa da população é que crimes só são punidos quando são praticados pelo cidadão comum (especialmente, pelos mais pobres); quando o malfeito é perpetrado pelos de “colarinho branco”, a história é outra: há muita leniência do Estado e suas instituições em aplicar a lei. Mas tem a ver também

Direitos Humanos

“Os olhos são a lâmpada do corpo. Portanto, se teus olhos forem bons, teu corpo será pleno de luz.” Os tempos difíceis que vivemos polarizaram tudo. Até os grandes avanços que, a duras penas, conseguimos lograr estão sendo questionados de todos os lados. Instalou-se a falsa ideia de que quem defende determinadas bandeiras está de um lado e quem defende outras está de outro lado de uma disputa. Nós e eles. Isso ganhou maior expressão no debate cada vez mais acalorado sobre direitos humanos, como se essa “bandeira” fosse partidária. Não é. Não pode ser colocada como tal, sob pena de perdermos todos. Não bastassem as discussões teóricas e a troca ríspida de opiniões, os atos de violência (em to

Sobre sair e voltar

Escrevi diversas vezes sobre a inquietude que mora dentro de cada pessoa. Somos uma espécie incomodada e desalojada. A sensação que nos consome todos os dias é que estamos sempre em busca de algo perdido ou de alguma coisa que nos ultrapassa. A transcendência, por assim dizer, é o pão nosso de cada dia. Por isso, gostamos tanto de viajar! Viajamos porque desejamos sair de casa; porque ansiamos deixar para trás um universo de comodidades e lugares conhecidos; porque nos cansamos facilmente com o cotidiano e sua entediante rotina. O primeiro movimento do viajante é sair. Viajamos, também, porque aspiramos por novidade; porque nos toca desde dentro a sanha pelo desconhecido; porque nos cativa

Memória e esquecimento

- Sete anos depois do maior acidente climático na região serrana do Rio de Janeiro e em Nova Friburgo. Diante da tragédia, ao menos dois caminhos são possíveis: ou se entrega à derrota, ou se aproveita para reordenar a caminhada. A memória da noite de 11 para 12 de janeiro de 2011 deve ser preservada. As centenas de mortes e as incontáveis perdas materiais e humanas devem ser celebradas com o respeito e a reverência que exigem. E precisam servir de oportunidade para reconstrução a partir de novas bases. É verdade que houve algum investimento em obras de reconstrução, sim; mas falta ainda muito. E falta o principal: uma reconstrução que não seja apenas de cimento e tijolo, mas de cultura.

QUANDO OPINIÃO É OPORTUNISMO

É verdade que o lugar onde pisamos orienta a visão que temos da realidade. E que essa visão direciona nossas ações. Ponto de vista é a vista desde um ponto. Perspectiva. Mas é igualmente verdade que nossa visão da realidade é condicionada também por ideias que circulam na sociedade e das quais somos reprodutores, mesmo que irrefletidamente. É, por exemplo, a situação do empobrecido (economicamente) que pensa e age com a cabeça do enriquecido. Mais que isso: que é capaz de defender ideias que radicalizam o abismo de desigualdades socioeconômicas que há. Há quem defenda pautas que são diametralmente opostas aos seus próprios interesses, necessidades e direitos. Há os que o fazem por posicionam

Sobre símbolos e fé

- uma breve reflexão sobre a Festa de Reis e a questão da (in)tolerância religiosa. Símbolo é mais do aquilo que representa algo. Símbolo é o que aponta caminhos; indica direções; sinaliza o rumo a seguir. Etimologicamente, símbolo é o que é lançado conjunta e unidamente. Um elo entre o aparentemente distinto. Símbolo é o elemento capaz de fazer ligação entre diferentes. Por outro lado, símbolo é o que aponta para algo além de si. A maior tarefa do símbolo é despojar-se de si e indicar o caminho para aquilo que está sinalizando. Quando, por exemplo, se toma o rumo para uma cidade e, para isso, se usa de uma estrada, as placas pelo caminho são símbolos que antecipam o destino, embora não o su

Por que simplesmente reprovar não é a solução?

Há uma decisão do governo municipal em Nova Friburgo de passar a poder reprovar estudantes já no 2º ano do Ensino Fundamental. Os argumentos básicos são os de que a nova BNCC recomenda a alfabetização até essa etapa, que há um clamor de professores sobre isso e de que essa medida promoveria maior aprendizagem. Diante da proposta, valem reflexões a respeito. Há uma memória saudosista no imaginário brasileiro: a boa escola é a escola que reprova. O professor que com mais rigor cobra de seus alunos e que mais reprova é tido como aquele que melhor ensina. Mas isso não é verdade. Uma boa escola, um bom professor, um bom modelo de Educação são aqueles com os quais os estudantes efetivamente aprend

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