A praça, as pessoas e seus conflitos

- reflexões sobre episódios de violência na Praça Getúlio Vargas em Nova Friburgo. A praça Getúlio Vargas tornou-se palco de violentas aglomerações nos fins de semana. Muitos jovens. Muita pancadaria. Já não é de hoje que a praça é cenário das contradições expostas de nossa comunidade: pouco iluminação, moradores de rua, prostituição, roubos e árvores caindo e outras sendo derrubadas. Houve uma época que havia inclusive um posto policial ali instalado, tamanha a sensação de insegurança. Se é assim no tradicional ponto geodésico do estado, na principal praça da cidade, imagine o que ocorre em outros cantos onde, infelizmente, a presença do poder público é ainda menor (senão inexistente)? A sa

Protestantismo: contradições e utopias

Passados quinhentos anos, fica claro que a Reforma de Lutero – e as tantas outras – seguramente colaboraram na construção do ser “moderno”, daquilo que distinguimos como “ocidental” e, principalmente, do que identificamos por “cristão”. Do ponto de vista político, a “Carta à Nobreza Alemã” demarcou os primórdios das muitas rupturas que houve em relação ao centro do poder em Roma. Do ponto de vista teológico, o conteúdo das 95 teses e os desdobramentos doutrinários do pensamento luterano preconizaram uma forma nova de experimentar a espiritualidade cristã – profundamente intrincada com a filosofia humanista, com a arte renascentista, com a ética capitalista, com a política dos estados naciona

LUCIANO HUCK NÃO É RENOVAÇÃO

O cenário político brasileiro tem sofrido críticas e ataques de todos os lados. E com (muita) razão. Fisiologismo e corrupção são as principais acusações. De um lado, um sistema que se sustenta sobre a ideia de que somente governos com ampla maioria consegue avançar. Para isso, a lógica que impera é a da coalização. Mas juntar sob um mesmo guarda chuva dezenas de partidos de ideologias (quando existem) tão difusas não é possível, a não ser que seja com troca de favores, cargos e verbas. De outro, uma aliança nada republicana de setores da iniciativa privada com os que ocupam cargos de comando político. Pra se eleger, os políticos recorrem às empresas; para financiar, as empresas esperam

FRIBURGO: um paciente com 200 anos

A situação da Saúde pública em Friburgo é calamitosa. Há informações e denúncias preocupantes. Não que seja novidade. Mas parece que piorou bastante recentemente. O cenário é propício para o palanque politiqueiro. A turma do “quanto pior, melhor” gosta do caos instalado. A questão, todavia, precisa ser vista sob a ótica da cidadania, do interesse público e dos direitos humanos. Nós todos pagamos impostos (e pagamos muito). E os mais pobres pagam, proporcionalmente, bem mais. Os serviços públicos não são favores. São Direitos. Não considero o mais eficiente simplesmente apontar o dedo e esperar a próxima eleição. Se não houver ações de base e efetiva participação da sociedade no acompanhament

A rua é pública

Há questões que exigem de nós uma reflexão mais profunda do que as simples constatações postas pelos mecanismos tradicionais de formação de opinião. Os problemas e desafios relacionados ao trânsito são exemplos contumazes dessa necessidade de aprofundamento. Tradicionalmente, se coloca a questão sob sua própria ótica; ou seja, o trânsito e suas atuais mazelas são postos como inevitáveis e cuja solução passa, exclusivamente, por ações de engenharia, legislação, educação, fiscalização etc. Obviamente, tais ações contribuem para a minimização dos problemas, mas não resolvem a questão. O mal que experimentamos nas ruas é um mal do nosso tempo; é apenas o sintoma de uma doença que nos mata desde

SOBRE OS TIROS EM GOIÂNIA

Tudo que escrevo aqui é apenas reflexão. Fruto exclusivamente do que li e ouvi a respeito. São ilações sem qualquer pretensão de esgotar o assunto. 1. Bullying é assunto sério. Nem tudo que se diz por aí é bullying. Mas bullying existe, sim, e deve ser enfrentado. Nas escolas e nas rodas e redes de amizade. Agressores e paleteia devem ser responsabilizadas. Agredidos devem ser encorajados a denunciar e buscar ajuda. Todos precisam ser convidados a dialogar sobre a questão. Bullying é fruto de preconceito. Aqui está a raiz do problema. Preconceito. 2. Saúde mental é tão séria quanto qualquer outra questão que envolva saúde do corpo, por exemplo. Reconhecer e buscar tratamento é indispensáv

Uma ruptura necessária

Há uma polarização equivocada sobre socialismo e liberalismo e, em algum sentido, sobre esquerda e direita. Por causa de governos corruptos e manobras que só atendem a interesses de uns poucos privilegiados, ou misturamos tudo como se fosse a mesma coisa, ou distinguimos tudo como se do outro lado nada prestasse. O liberalismo erra ao acreditar no livre mercado como instância de gerência da sociedade, como se essa entidade fosse capaz de autorregularização. Os desdobramentos dessa ideia dão origem a conceitos de estado mínimo, meritocracia etc. E redundam na exclusão de multidões que não têm oportunidade da inclusão. Mas acerta quando enxerga no potencial dos indivíduos a força do desenvolvi

O Meio e a Mensagem

Insisto na tese de que “a forma” de que se diz é tão importante quanto “aquilo” que se está dizendo. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque, se a gente souber ajustar o discurso, será possível dialogar sobre os mais diferentes temas, por mais espinhosos e conflituosos que sejam. Boa parte dos conflitos surge por conta da forma ofensiva, debochada ou anuladora do lugar do outro. Ruim porque, sabendo-se usar bem as palavras e as ideias, pode-se vender gato por lebre facilmente. Uma razoável parcela de “verdades” que se alardeia por aí tem a ver com as imagens bonitinhas e um bom jogo de palavras. A título de exemplo, vale refletir sobre um vídeo a respeito de “meritocracia” que está circ

AVALIAÇÃO NÃO É PROVA. MAS PROVA MUITA COISA.

Corre por aí a notícia que algumas Secretarias de Educação pelo país estão contratando empresas para realizar avaliações de desempenho de estudantes da educação básica. É claro que Avaliação da Aprendizagem é um componente imprescindível em qualquer Projeto Político Pedagógico sério. Avaliar é fazer uma breve pausa na caminhada para verificar em que ponto estão os estudantes e, com base nos resultados da avaliação, remodelar as estratégias para que todos alcancem os objetivos propostos. A avaliação é do processo de ensino e aprendizagem e não das pessoas. A avaliação ilumina o trabalho de professores reorientando-o para que se garanta a efetiva e significativa aprendizagem. Nesse sentido, a

(Menos) Política, (Mais) Inteligência

- opiniões sobre a questão do Estacionamento Rotativo ​​A mim, me parece óbvio que a administração pública tem por objetivo servir à sociedade. O prefeito, por exemplo, deve ser um servidor público atento aos interesses e opiniões da população. E deve, por força de sua posição e de informações privilegiadas que possui, esclarecer, de forma transparente, sobre a real situação do município – contas, percentuais, limites, entraves, opções etc. No caso do estacionamento rotativo em Friburgo, está claro para mim que a situação é bem mais complexa do que o que se tem dito por aí – que cobrar é a solução para o motorista encontrar vaga com mais facilidade. Isso é raso. Um equívoco, na verdade. Cobr

Perder

Perder é uma experiência dolorosa, mas necessária. Saber perder é um ingrediente especialmente importante à maturidade. Encarar a perda é muito difícil – às vezes difícil até mesmo de discernir o momento da perda – mas negá-la é muito pior. Perder, em algum sentido, faz parte de uma vitória maior. Perder significa ser furtado da doce experiência da conquista; significa ser privado daquilo que se almejava; significa tropeçar no caminho e, mesmo que a vislumbrando, não alcançar a meta. Perder é ter que parar antes da hora prevista. A perda, assim vista, dá uma profunda consciência de finitude, de limitação; perder ajuda a compreender quão pequena e imprevisivelmente tacanha é a teia de possibi

Nova Friburgo Alfabetizada

Que presente Nova Friburgo quer ganhar nos seus 200 anos? Há quem entenda Educação apenas como caminho e não linha de chegada; apenas como meio para se atingir um fim. É claro que há sim essa dimensão no saber: ferramenta, meio para se atingir algo para além dele. Trata-se do aspecto instrumental do conhecimento. Por outro lado, todavia, o conhecimento é fim nele mesmo, na medida em que torna aquele que busca conhecimento uma espécie de desbravador da realidade e de si mesmo. O saber exige esses dois movimentos: para fora e para dentro. E é exatamente o movimento para dentro (que supõe Ética e Compromisso) que determina os Valores do que se faz para fora. De um lado, saber como ferramenta (m

TEOLOGIA: Atualizar e Revelar

Uma definição já clássica de Teologia é "atualização da Revelação". Parte-se da ideia de que há um conjunto de palavras divinas reveladas ao ser humano. Como são circunscritas ao contexto histórico-cultural em que surgiram, essas palavras precisam ser traduzidas para o ser humano de hoje. Nesse sentido, sem fé é impossível fazer teologia. Há, por princípio, fé numa revelação. Os judeus com a Tanach, os cristãos com a Bíblia e os muçulmanos com o Corão, por exemplo. Há, por trás dessa definição, também, fé na realidade, na atualidade. Uma visão da vida sob a perspectiva de sua sacralidade. E, com isso, a exigência de enxergá-la sob a lógica de uma revelação. Nessa esteira, a Teologia fu

Pela dignidade de ser professor

Um professor é a personificada consciência do aluno; confirma-o nas suas dúvidas; explica-lhe o motivo de sua insatisfação e lhe estimula a vontade de melhorar. Thomas Mann Professor é a função pela qual se define o profissional de educação responsável pela tarefa de ensinar propriamente dita. Há muitos profissionais nas escolas e universidades, mas ninguém que substitua o professor. Desde que ficou claro às famílias mais abastadas na Antiguidade que não lhes seria possível se incumbir integralmente pelo ensino dos ofícios, saberes, regras e bons modos, surgiu então a figura do professor, como uma espécie de tutor, orientador, condutor, explicador. A história da função, entretanto, só fez al

EDUCAÇÃO: Profissionalização x Humanização

Vi agora um comercial de TV sobre Educação. O argumento inicial do texto era: "Desde cedo, aprendemos que educação é caminho e não linha de chegada; e que só o conhecimento transforma sonhos em realidade." É claro que há sim essa dimensão no saber: ferramenta, meio para se atingir algo para além dele. Trata-se do aspecto instrumental do conhecimento. Por outro lado, todavia, o conhecimento é fim nele mesmo, na medida em que torna aquele que busca conhecimento uma espécie de desbravador da realidade e de si mesmo. O saber exige esses dois movimentos: para fora e para dentro. E é exatamente o movimento para dentro (que supõe Ética e Compromisso) que determina os Valores do que se faz para fora

Democracia, Inteligência e Humanismo

Segurança pública não é exatamente uma ciência. É apenas uma forma de interação com um problema bem típico das sociedades urbanas onde o conflito social emerge por conta da escassez de um lado e a possibilidade de acumulação de outro. O termo “segurança”, aliás, já ganhou diversos sobrenomes, cada qual sempre sintonizado com a experiência histórica do momento. Por aqui já foi “segurança nacional” (regime militar) e “segurança cidadã” (governo Lula), para ficarmos apenas em dois exemplos mais ou menos recentes. Enfim, o conteúdo de uma prática sobre “segurança” é sempre algo essencialmente político, que tem a ver com ideologias e interesses muito bem demarcados. A contribuição do especialista

Sobre homens e carros

A relação entre pessoas e automóveis é muito curiosa. Poucos objetos promovem tanta sedução quanto os carros fazem com os homens (e "homens", aqui, é o gênero masculino, majoritariamente). O carro seduz porque é uma espécie de extensão do corpo. Dá a sensação de que o indivíduo se torna mais potente, menos lento, mais robusto, menos vulnerável. A sedução passa, primeiramente, pela potência do motor. Curiosamente, a unidade de medida dos motores é "cavalo de força". Nada mais sintomático! Uma alusão à masculinidade dos equinos e a força de seus corpos. Quanto mais cavalos um motor possui, mais virilidade sugere. Corridas de carro são mania mundial. A relação entre velocidade e masculinidade j

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