Ética e educação - o papel da escola

Viver é uma sucessão de escolhas. Diferente dos animais, que têm suas vidas definidas pelos instintos e pela natureza, nós, seres humanos, estamos condenados a viver livremente. Liberdade como a capacidade de deliberar sobre a própria existência. Mas há um porém: não vivemos solitariamente. Como a convivialidade é uma demanda para que haja possibilidade de sobrevivência, instituímos regras e princípios para viabilizar a vida. Hábitos, regras, mandamentos e tantos outros interditos constituem-se, assim, nas garantias para que o particular não se sobrepuje ao coletivo e, além disso, haja relação harmoniosa entre os indivíduos. Segundo Thomas Hobbes, é o Direito uma das formas mais elaboradas n

Sobre sair e voltar

"Viajei para muito longe e tudo o que consegui foi voltar ao lar." Gandhi Escrevi diversas vezes sobre a inquietude que mora dentro de cada pessoa. Somos uma espécie incomodada e desalojada. A sensação que nos consome todos os dias é que estamos sempre em busca de algo perdido ou de alguma coisa que nos ultrapassa. A transcendência, por assim dizer, é o pão nosso de cada dia. Por isso, gostamos tanto de viajar! Viajamos porque desejamos sair de casa; porque ansiamos deixar para trás um universo de comodidades e lugares conhecidos; porque nos cansamos facilmente com o cotidiano e sua entediante rotina. O primeiro movimento do viajante é sair. Como já disse o pensador: "Há um tempo em que é pr

Ética e discurso - sobre falar e fazer

“... quem sabe, faz; quem não sabe (ou não quer), critica quem faz!” A palavra que constrói é a mesma que destrói. A linguagem que é capaz de levantar é a mesma responsável por abater. Sem ética, a palavra se torna instrumento perigoso. Ética – mais do que o conjunto de valores que regem uma sociedade – é a forma concreta como se age e como se fala. Ético é o sujeito que se assume como protagonista da ação ou da omissão; sujeito que age por vontade própria porque reconhece-se como autor dos seus atos; com respeito à alteridade, sem esquivar-se da responsabilidade, porque entende o lugar do outro e não deixa de responder sempre por suas atitudes; finalmente, ético porque age com liberdade, ou

A política dos 200 anos

Há quem pense que os 200 anos de Friburgo sejam somente festa. Há quem pense que seja apenas memória construída sobre o mito da Suíça brasileira. E há ainda quem ache que não tem a ver com política.  Ora, ora ... é claro que se quer festa. E não apenas qualquer festa. Afinal, não são 200 dias. São 200 anos! Mas se deve querer mais que festa. A cidade merece aproveitar toda a beleza desse simbolismo e construir para si mesma presentes que deixem marcas duradouras para o futuro, especialmente no que diz respeito a qualidade de vida e dignidade da população.  Se é verdade que há, em um dado momento da história, uma conexão com a chegada de algumas famílias provenientes da região que hoje é

Ética, utopia e liberdade

A utopia ilumina a ética. Se não há pelo que esperar no futuro, não importa muito a maneira como se age no presente! O fato de estarmos numa situação específica não nos identifica, necessariamente, com as características todas dos outros que ocupam posições semelhantes. Por isso, classificar e categorizar pessoas é um equívoco! Pertencimento e identificação são categorias que, ao mesmo tempo, aproximam e afastam. A forma de agir está condicionada, por assim dizer, por aquilo que esperamos e acreditamos. É essa “fé” fundante que orienta o pertencimento a esse ou àquele grupo, nesse ou naquele momento. É curioso que buscamos, ao mesmo tempo, individualidade e coletividade. Por um lado, desejam

PRIVATIZAR O ROTATIVO: VOCÊ CONCORDA?

De novo, o governo municipal tentará privatizar o estacionamento rotativo. Dessa vez, por meio de alteração na Lei Orgânica. Na mensagem do prefeito à câmara, as justificativas básicas são as de que é necessário reorganizar o estacionamento e democratizar o acesso; de que a atual previsão de o serviço ser explorado por instituição filantrópica se mostra inviável; e de que a administração direta da prefeitura sobre o serviço é onerosa aos cofres públicos e importará numa série de medidas administrativas como a realização de concurso público. Estou totalmente de acordo com o governo no que tange a necessidade de reorganização do trânsito. Nossa cidade tem um trânsito caótico. Por isso, sem

Religião, política e preconceito

Pensando nessa celeuma toda sobre evangélicos e política, vejo que a insistente relação que se força ver entre evangélicos e obscurantismo é muito preconceituosa. Há uma dose de verdade, é claro, mas há muita má vontade. Nosso Brasil católico (realidade que transborda os limites da denominação religiosa romana - algo que permeia a cultura latina de alto a baixo) tem um traço de muita arrogância. Uma determinada imagem a ser preservada. Qualquer um que perverta essa lógica está fora. Daí o já secular preconceito com os "crentes". Deus nos livre de piadas contra gays, negros, estrangeiros ... Mas nunca é pecado taxar os evangélicos de atrasados ou coisa parecida. O fato, a mim me parece, é que

Ética e caráter

O tempo que chamamos hoje é marcado pela fluidez de certezas e conceitos. Questões antes tidas como certas e bem definidas passam por reconsiderações profundas. A isso, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman denominou modernidade líquida. Líquidos mudam de forma muito rapidamente, sob a menor pressão. São, por assim dizer, incapazes de manter a mesma forma por muito tempo. Adequam-se aos recipientes em que estão e, se não há recipientes, não conseguem forma definida, esparramam-se pela superfície sem qualquer direcionamento ou lógica. Os tempos são “líquidos” porque tudo muda muito rapidamente. Nada parece ser feito para durar, para ser “sólido”. A palavra de ordem, nesse cenário, é “incerteza”.

Sobre falar e fazer

A linguagem é uma extraordinária forma de dar sentido às coisas e, ao mesmo tempo, fazer com que esse sentido seja compartilhado entre os indivíduos. É por meio da linguagem que apreendemos a realidade e a ela atribuímos valor. A mesma linguagem que concede significado e importância é instrumento para a invenção criativa. É por meio da mesma linguagem que somos capazes de criar realidades distintas e habitar mundos imaginários. Há, nisso tudo, uma beleza profunda, pois a realidade precisa ser codificada e decodificada constantemente, para que faça sentido e tenha valor para as pessoas. Em certo sentido, é nisso que se resume a arte. “A arte existe porque a vida não basta” (Ferreira Gullar).

Empreender: para fora e para dentro

Reflexão com os estudantes do Ensino Médio da CEFFA CEA Rei Alberto I – IBELGA – em Salinas, Nova Friburgo, em seu II Encontro Técnico, com o tema “O Futuro do Jovem no Campo: Empreendedorismo, Saúde e Meio Ambiente”. ********** A relação entre “futuro”, “juventude” e “campo” é muito poderosa, do ponto de vista simbólico. Primeiro porque associa a ideia de esperança no futuro à vitalidade da juventude; depois, porque relaciona essas duas energias tão motivadoras à cultura do campo. Nada mais oportuno que “potencializar” a cultura rural brasileira com a força que brota da utopia – do futuro que precisa ser cheio de boas novidades e da juventude que tem a oportunidade histórica de realizar ess

Conselhos Municipais: para que servem?

Em agosto, o Conselho Municipal de Educação de Nova Friburgo passou por eleição para presidência e v ice. Havia uma chapa da sociedade civil e uma chapa alinhada ao governo. O governo obteve vitória - por um voto de diferença. A democracia brasileira, além de imatura, passa por uma crise séria. Há em curso no país sistemática e acelerada subtração de direitos. E qualquer voz dissonante tem sido negligenciada e perseguida. Por isso, em vez de virar as costas para a democracia como valor, é hora de radicalizar nos mecanismos para que a experiência democrática seja mais condizente com as necessidades reais da população. Política não é fim em si mesma; é meio, é ferramenta para organizar a vida

Uma ruptura necessária

Há uma polarização equivocada sobre socialismo e liberalismo e, em algum sentido, sobre esquerda e direita. Por causa de governos corruptos e manobras que só atendem a interesses de uns poucos privilegiados, ou misturamos tudo como se fosse a mesma coisa, ou distinguimos tudo como se do outro lado nada prestasse. O liberalismo erra ao acreditar no livre mercado como instância de gerência da sociedade, como se essa entidade fosse capaz de autorregularização ao ponto de garantir condições a todos. Os desdobramentos dessa fé germinal dão origem às ideias de estado mínimo, meritocracia etc. E redundam na exclusão de multidões que não conseguem ou não têm oportunidade da inclusão. Mas acerta quan

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